Primeiramente, antes de abordarmos um assunto tão importante vamos compreender a origem do termo suicídio.

A palavra suicídio tem origem no latim “sui caedere”; sui = si mesmo e caedes = ação de matar.

Assim, um dos maiores estudiosos sobre suicídio, Durkhein (2000) diz que o suicídio é um ato de desespero de um indivíduo.

Logo, este indivíduo não quer mais viver e analisar esse ato não é apenas analisar o indivíduo, mas também a sociedade.

O que é o suicídio?

A princípio, o suicídio é um fenômeno multifatorial e multideterminado.

Ou seja, as causas são diversas, podendo envolver fatores genéticos, biológicos, psicológicos, sociais e culturais, dentre outros.

No entanto, antes que o indivíduo venha a cometer o suicídio, há uma série de pensamentos que ele experimenta.

Logo, esses pensamentos envolvem os desejos de morte e ideias de como o este poderia dar fim a própria vida.

Em outras palavras, esses pensamentos são chamados de ideação suicida por psiquiatras e psicólogos.

Estudos realizados no Brasil

A primeira vista, o Dr. Neury Botega, Psiquiatra, fundador e diretor da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio, apresentou um estudo.

Neste, havia uma relação entre os moradores do município de São Paulo-SP e à associação dos índices de suicídio.

Por meio deste estudo,  algumas características socioeconômicas e culturais foram comparadas, como:

  • estado civil;
  • renda;
  • anos de instrução;
  • migração;
  • e religião puderam ser comparadas.

Desta forma, observou-se que os riscos associados em relação às pessoas que se encontravam na região central de São Paulo foram maiores em pessoas solteiras, migrantes e católicos.

O mesmo autor, apresenta dados referentes aos fatores de proteção, verificados em regiões nas quais havia um baixo índice de suicídio.

Assim, foi destacado as pessoas que eram casadas e pessoas que eram evangélicas.

É interessante notar, que em outros estudos semelhantes a esse, os resultados obtidos  foram parecidos em outros países.

Estatísticas 

Infelizmente, a cada 40 segundos, uma pessoa comete suicídio no mundo.

Desta forma, aproximadamente um milhão de mortes por este motivo, acontecem por ano.

Logo, a cada ano, as mortes por suicídio, constituem 50% das mortes violentas entre homens e 71% entre mulheres.

Em síntese, os índices mais altos estão nos países da Europa Oriental, América Central e América do Sul.

Nota-se então que o total de mortes por suicídio supera a soma de todas as mortes causadas por homicídios, acidentes de transporte, guerras e conflitos civis.

No entanto, é importante analisar também as tentativas deste ato.

Estas tem um intervalo de tempo ainda menor, a cada três segundos alguém tenta se matar.

Apesar dessa estimativa, ressalta-se que as tentativas de suicídio podem ser de 10 a 20 vezes mais frequentes que o suicídio.

Além disso, segundo a Organização Mundial da Saúde, entre 15% a 25% das pessoas que tentam suicídio, irão repetir.

Estatísticas no Brasil

No Brasil, em um intervalo de 45 minutos, acontece um suicídio.

A taxa é de 6,1 por 100 mil habitantes, totalizando cerca de 13 467 suicídios por ano.

Isso faz com que o Brasil seja o oitavo país com mais suicídio em todo o mundo (OMS, 2014).

Segundo a OMS, entre 2010 e 2016 a taxa global de suicídios caiu 10%.

Apesar disso o número de mortes permaneceu estável, por causa do crescimento da população global.

Estudos feitos pela Associação Brasileira de Psiquiatria (2009) revelaram que há uma correlação entre suicídio e transtornos mentais.

A ABP afirma que de 15 629 pessoas que se suicidaram, 90% poderiam ter algum diagnóstico de transtorno mental.

A depressão está relacionada à 35,8% dos casos de suicídio. (Assumpção, Oliveira e Souza, 2018)

Olhar para as estatísticas com criticidade é uma tarefa necessária, pois o suicídio se insere na mortalidade ocasionada por causas externas.

Ou seja, isso significa, que os acidentes de trânsito, homicídios, suicídios, guerras e conflitos civis  estão inclusos na mesma categoria.

Fato é que os números podem ser maiores quando se tratam de suicídio.

Isso porque os casos de suicídio podem não estar claros.

Dessa forma, podem ser registrados com outra causa de morte, afetando as estatísticas.

Grupos de risco

Em suma, grupo de risco é o conjunto de pessoas que detém determinadas características.

Estas características aproximam as pessoas dos riscos do suicídio.

Por vezes, essas pessoas podem ter sido expostas a determinados eventos (fatores de risco).

Logo, estes aumentam a probabilidade do suicídio, como história de abuso sexual, suicídio na família ou prévia tentativa de suicídio.

Assim é importante ressaltar que indivíduos que têm algum transtorno mental ou determinado estado emocional, tem chances maiores de vir a cometer suicídio.

Porém, essas características não reduzem o risco somente a essa população.

Pessoas consideradas saudáveis e fora do grupo de risco também podem vir a cometer suicídio.

Por isso, é importante ter atenção.

Mas quem são as pessoas que têm mais predisposição a praticar o suicídio?

A tabela abaixo apresenta os fatores sociodemográficos, transtornos mentais, psicológicos e  outras características que são tidas como horizonte para psicólogos e psiquiatras.

Fatores de riscos nas diferentes fases do desenvolvimento

Infância:

  • vivência de problemas relacionados a conflitos entre os pais ou cuidadores;
  • mortes;
  • separações;
  • violência doméstica;
  • isolamento social;
  • convivência com cuidadores que fazem uso de drogas e álcool;
  • vivência de problemas mentais;
  • castigos físicos.

Adolescência:

  • ter sofrido violência física e/ou abuso sexual;
  • transtornos mentais, como depressão;
  • questões relacionadas a identidade de gênero;
  • ameaças sofridas por colegas ou outras pessoas;
  • problemas de aprendizagem escolar e de relacionamentos;
  • isolamento social;
  • frustração emocional excessiva, por parte da família, do meio social e cultural;
  • ter tido contato prévio com suicídio, em casos de familiares próximos, vizinhos ou amigos.

Adulto:

  • bancários – utilizam de vários métodos para cometer suicídio;
  • policiais –  utilizam armas de fogo (meios letais);
  • agricultores – utilizam pesticidas (intoxicação)
  • médicos e estudantes de medicina – utilizam medicamentos.

Idosos:

  • transtornos mentais, como:
    •  Depressão;
    • Alzheimer;
    • Doenças degenerativas;
  • perdas familiares importantes;
  • isolamento social;
  • questões econômicas;
  • vivências de violência no passado;
  • ociosidade e perda do sentido da vida;
  • uso abusivo de álcool e drogas.

Desta forma, fica claro a necessidade de se prevenir o suicídio.

No entanto, essa prevenção não se faz apenas ao nível individual.

Por esse motivo, é necessário que toda a sociedade esteja envolvida nessa missão.

Prevenção ao suicídio

A primeira vista, a prevenção é um ponto importante da luta para diminuir os riscos do ato suicida.

Por esse motivo, o suicídio é tratado como problema de saúde pública e cabe a equipes de saúde encaminhar os casos de tentativas de suicídio.

Logo, a equipe de saúde deve trabalhar sempre com uma escuta ativa, sempre considerando, a tentativa como algo sério.

Por esse motivo, é importante que na atenção primária do Sistema Único de Saúde (SUS)  a equipe tenha compreensão sobre o tema.

Assim, a atenção primária identifica o caso, avalia o risco e com isso realiza o encaminhamento para as equipes de saúde mental.

Por outro lado, a atenção secundária e terciária, são os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), os Hospitais de (geral e/ou psiquiátrico) e os Serviços Especializados.

Esses espaços recebem e avaliam a gravidade dos pacientes que tentaram se suicidar.

Em contrapartida, a partir da avaliação, começam os tratamentos e o acompanhamento do serviço social e psicológico.

Por fim, as equipes encaminham para os serviços de saúde mental após a alta do hospital ou CAPS.

Neste sentido, a prevenção do suicídio não se dá apenas a rede de saúde.

Importante incentivar medidas sociais para colaborar com a diminuição da taxa de suicídio.

Para tanto é importante promover a qualidade de vida.

Como fazer?

  • Incentivar espaços para que tenham grupos de autoajuda;
  • Controlar o acesso a armas de fogo, armas brancas, carbamato (chumbinho), pesticidas, raticidas;
  • Planejamentos do espaço físico de cidades;
  • Orientar a mídia para que não noticie a forma como uma pessoa se suicidou;
  • Campanhas escolares para facilitar a prevenções.

Como lidar como uma pessoa que apresenta risco de suicidar-se:

  • Primeiro: procure por locais calmos e reservados para conversar com a pessoa;
  • Segundo: ouça-a sem julgamentos. É importante a pessoa saber que pode confiar em você;
  • Terceiro: sugira a pessoa a procurar serviços de saúde mental ou de emergência;
  • Quarto: caso o risco de suicídio seja iminente, não a deixe sozinha;
  • Quinto: caso a pessoa conviva com você, certifique-se de dificultar  o acesso aos meios letais;
  • Sexto: mantenha contato constante com a pessoa, acompanhando suas ações.

Referências 

Associação brasileira de psiquiatria. Comportamento suicida: conhecer para prevenir. 1. ed. Rio de Janeiro: ABP, 2009. Disponível em: https://www.cvv.org.br/wp-content/uploads/2017/05/suicidio_informado_para_prevenir_abp_2014.pdf

Assumpção, G. L. S., Oliveira, L. A., & de Souza, M. F. S. (2018). Depressão e suicídio: uma correlação. Pretextos-Revista da Graduação em Psicologia da PUC Minas, 3(5), 312-333.

Botega, N. J. (2015) Crise Suicida. Artmed.

Freitas, Geísa. (2015). A morte pode esperar?: Clínica psicanalítica do suicídio. Stylus (Rio de Janeiro), (31), 215-222. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1676-157X2015000200022&lng=pt&tlng=pt.

Rio de Janeiro (2016). Guia de Referência Rápida. Carteira de Serviços: Avaliação do Risco de Suicídio e sua Prevenção.

Silva, L. M., & Couto, L. F. (2009). A questão do suicídio: algumas possibilidades de discussão em Durkheim e na Psicanálise. Arquivos Brasileiros de Psicologia, 61(3), 57-67.

Organização Mundial da Saúde. Classificação estatística internacional de doenças e problemas relacionados à saúde. 10. ed. rev. 3. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2011.


Escrito por:

Lucas Carvalho C Ferreira
CRP: 06/159434
Cel.: (19) 998497449

Graduado pela Universidade São Francisco.
Experiência em CAPS, CREAS, CRAS e Hospital municipal Mario Gatti.
Trabalha atualmente com atendimentos clínicos para adultos e idosos.

 

Luis Felipe Oliveira
CRP 06/159433
Tel.: (19)9 8369 0238

Graduado pela Universidade São Francisco. Experiência em atendimento junto a população LGBTQ+, tendo atuando no Centro de Referência LGBT de Campinas. Atualmente atua na abordagem psicanalítica, em atendimento clínico para adolescentes, adultos e idosos.

Kelma Yaly

Consultora de Marketing de Conteúdo e Performance para Mega Imagem.