No artigo de hoje vamos entender quais são as evidências para o distanciamento físico de 2 metros.

A base para definição das regras de distanciamento são os estudos, recentes e alguns deles muitos antigos de 1897, por exemplo.

Eles são baseados na distância que percorrem as gotículas, de tamanhos variados no ar úmido e turbulento, proveniente da respiração que as mantém concentradas e as carrega mais de metros em poucos segundos.
Após esta “nuvem” perder velocidade suficiente, passam a exercerem importância na transmissão de uma infecção.

O que interfere na contaminação também:

  • Tipo de de ventilação do ambiente;
  • Padrões específicos de fluxo de ar;
  • Tipos de atividades em que as pessoas estão envolvidas;
  • Carga viral do emissor;
  • Duração da exposição;
  • Susceptibilidade de um indivíduo a infecção.

Distanciamento: origem da regra dos 2 metros

Baseado em alguns estudos feitos  em placas com meio de cultura, as gotículas provenientes da fala, tosse e espirro foram testadas a diferentes distâncias.
Em 1897  propõe-se que a distância necessária é de 1 a 2 metros. Já em 1948, só 10% das gotículas ultrapassavam 1,7 m.

Em uma revisão sistemática de 10 estudos recentes, sugerem que há propagação acima de 2 metros e podendo chegar a 6 e 8 metros  isso infere que pode ocorrer propagação concentrada de partículas alem de 1 e 2 m de distância quando provenientes de tosse ou espirros.

Nas recentes epidemias de SARS-COV, MERS-COV e gripe aviária, múltiplos estudos sugerem propagação além de 2 metros.

Tamanho das gotículas

As maiores gotículas tendem a cair de 1 a 2 metros. As menores, chamadas aerossóis, se não tiver fluxo de ar no ambiente tendem a permanecer ao redor do emissor e evaporar antes de cair.

Se houver fluxo de ar elas podem ser carregadas além de 1 ou 2 metros. O espirro e a tosse também fazem que até as gotículas maiores ultrapassem 2 m.

Estudos evidenciaram amostras positivas para o vírus a uma distância de pacientes internados infectados de 2 e 4 metros. Também foram evidenciados presença do vírus nos aparelhos de ar-condicionado e ventilador do quarto de pacientes infectados.

Força da emissão

Expirar, cantar, tossir, espirrar geram uma nuvem de gás úmida e quente de ar exalado, que se mantém concentrada e pode atingir de sete a 8 m de distância em pouco segundos.

Isso ajuda a explicar ocorrência de transmissão do COVID-19 por um cantor assintomático num coral que contaminou 32 outros cantores e mais 20 outros casos prováveis, apesar do distanciamento físico de 2 m.

Atividades em ambientes fechados como aulas de ginástica ou coletivas também estão inseridas nesse contexto.
A força da respiração no exercício pode se assemelhar a tosse com transmissão das gotículas a uma distância maior, porém o ambiente externo permite a diluição das mesmas e a redução do risco de transmissão. Apesar do senso comum de que o tempo de exposição a uma pessoa com Covid influencia no risco de transmissão, não se encontrou trabalho que quantifica essa variável.

O risco de transmissão com o distanciamento de 1 metro é de 2 a 10 vezes maior que o distanciamento de 2 metros. Veja:
A regra do distanciamento físico poderia ser mais efetiva se refletisse os níveis de risco:
-Tipo de ocupação;
-Tempo de contato;
– Uso ou não de máscaras;
– Ambiente interno fechado ou externo/aberto;
-Intensidade de ventilação;
– Nível de aglomeração/ distanciamento.

Níveis de risco

Os níveis de risco são relativos e não absolutos, especialmente em relação aos limites de tempo e de aglomeração e eles não incluem fatores adicionais como a susceptibilidade individual de infecção.  A umidade do ambiente também é um fator muito importante ainda que não rigorosamente estabelecido, outros trabalhos são necessários, por exemplo: limite de duração de exposição em relação a ambientes fechados, aglomeração e nível de capacidade de propagação viral.

O distanciamento físico precisa ser visto como apenas uma parte de uma conduta de saúde pública para conter a pandemia de COVID-19, que necessita ser implementada e combinada com estratégias de gerenciamento de pessoas, do ar, ambiente , das superfícies e do espaço físico. Incluindo higiene das mãos, limpeza do ambiente , cuidados com o ar/ventilação e equipamento de proteção apropriado tal como máscaras, por exemplo.

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Espero que tenha gostado desse artigo, até breve.

 

Rafaélla Mantovani

Rafaélla Mantovani

Comunicação e Marketing Digital na Clínica Mega Imagem.