No Brasil, o café é quase uma unanimidade. É muito difícil encontrar uma pessoa que não gosta de café, principalmente quando se trata do café brasileiro que é tão elogiado no exterior. Entretanto, você já parou para pensar o quão saudável é beber café ou mesmo quais os benefícios e malefícios que o café trazem para a saúde? Nesse texto, abordaremos um pouco sobre isso.

Popularidade do Café

Alguns pesquisadores apontam que depois da água, o café é a bebida mais consumida no mundo. Estima-se que são consumidas 2 bilhões de xícaras por dia! Talvez seja esse o motivo que faça o café e seus possível efeitos sobre a saúde (tanto positivos como negativos) sejam sempre estudados.

Curiosidades a respeito do Café

Aqueles que cultivam o hábito de tomar café mandam para dentro do organismo uma série de substâncias. Entre elas sobressai a cafeína, célebre por sua ação estimulante. Mas o que aparece em maior quantidade no pequeno grão são os ácidos clorogênicos, compostos antioxidantes. A xícara ainda concentra vitamina B3 e minerais como potássio, manganês e ferro. Nos dias de hoje, podemos dizer que o café não é uma unanimidade. Porém, a maioria dos estudos confirma seus benefícios. Fato é que o pretinho básico de todas as manhãs segue gerando contradições – algumas delas você confere abaixo.

Fertilidade

Segundo cientistas, mais de cinco doses diárias de café reduzem em 50% a chance de sucesso no tratamento de fertilização. Ainda não há estudos clínicos comprovando o efeito, mas alguns trabalhos relacionam um alto consumo de cafeína, como acontece nos países nórdicos, à malformação fetal.

Câncer de pele

Depois de acompanhar mais de 110 mil pessoas por 20 anos, pesquisadores da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, descobriram que o café está inversamente associado ao tipo mais comum de tumor de pele. “Qualquer alimento antioxidante, caso do café, pode auxiliar na prevenção. Mas é cedo para indicá-lo com essa finalidade”, analisa a dermatologista Flávia Addor, da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Expectativa de vida

Uma investigação do Instituto Nacional do Câncer, nos Estados Unidos, mostra que beber de 3 a 4 xícaras faz você viver mais. O ganho na expectativa de vida é de 10% para homens e 13% para mulheres. O resultado não surpreende. Afinal, o café é uma das maiores fontes de antioxidantes na dieta.

Problemas no coração

As pesquisas que se dedicaram a analisar a relação entre o café e a incidência de insuficiência cardíaca – condição em que o coração não consegue bombear quantidade suficiente de sangue para o corpo – sempre geraram dados discrepantes. Intrigada, a pesquisadora Elizabeth Mostofsky, da Escola de Saúde Pública da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, decidiu conduzir uma revisão sobre o tema.

Nela, foram avaliados mais de 140 mil indivíduos, dos quais 6 522 mil tiveram o mal. Percebemos que quatro doses diárias de café diminuíram em até 11% o risco de ter o problema, conta a cientista. Os compostos bioativos da bebida – o destaque vai para os antioxidantes – provavelmente estão por trás da benesse.

Ao afastar o diabete tipo 2, eles também protegeriam contra essa doença cardíaca, raciocina. Já o consumo além da conta deixou o coração na corda bamba. E não é só o excesso que abala o peito. Está comprovado que duas substâncias presentes no grão, o cafestol e o kahweol, são capazes de elevar os níveis de colesterol no sangue, quadro que pode ser o pontapé inicial para várias complicações cardiovasculares.

Mas, quando se usa o filtro de papel ou o coador de pano para preparar o café, consegue-se reter boa parte dessas substâncias, ensina Rosana Perim, gerente de nutrição do Hospital do Coração, na capital paulista. Dilema resolvido.

Tremores do Parkinson

Quantas vezes você já ouviu alguém alegar que está mais acelerado porque bebeu café? Isso acontece por causa da cafeína. A exposição à substância gera estímulos cerebrais, especialmente nas áreas que controlam as atividades motoras e o sono, explica a nutricionista Camila Leonel, da Universidade Federal de São Paulo. Para um paciente com Parkinson, doença caracterizada por tremores no corpo, é de supor que a cafeína piore o quadro, certo? Errado.

Em estudo realizado no Instituto de Pesquisa da Universidade McGill, no Canadá, observou-se que ela ameniza o sintoma. Para chegar ao achado, os cientistas acompanharam 61 pacientes. Enquanto uma parte recebeu placebo, uma pílula inócua, a outra ganhou uma cápsula com 100 miligramas de cafeína duas vezes ao dia, por três semanas.

Nos 21 dias seguintes, o valor passou para 200 miligramas – dose encontrada em cerca de 2 xícaras de café. A melhora motora entre aqueles que ingeriram a substância foi semelhante à de remédios indicados na fase inicial da doença, comenta o neurologista Renato Puppi, coordenador da Associação Paranaense dos Portadores de Parkinsonismo, em Curitiba, e um dos autores do trabalho.

O efeito parece contraditório, mas a bebida só causa agitação em pessoas que não estão acostumadas a consumi-la ou que exageram, pondera. Na dose adequada, a cafeína contribuiria para o funcionamento da dopamina – e é a falta desse neurotransmissor que abre as portas para o Parkinson.

Alucinações

Conhecido por incitar a atenção, deixando-nos mais preparados para cumprir as tarefas do dia a dia, o café ganhou a inusitada fama de alucinógeno na Universidade La Trobe, na Austrália. Isso aconteceu depois que os estudiosos recrutaram 92 voluntários e os submeteram a altos ou baixos níveis de estresse e consumo de cafeína.

Depois, eles foram orientados a escutar uma mistura de sons e avisar cada vez que ouvissem determinada música. Detalhe: a canção nunca foi tocada. Só que as pessoas mais apreensivas ou com bastante cafeína na circulação – o correspondente a mais de cinco doses de café – se mostraram bem propensas a cair na pegadinha.

Alguns estudos relatam que o estresse contribui para a liberação de cortisol, hormônio que favorece experiências alucinatórias. E isso parece ser potencializado ao ingerir alimentos estimulantes, como o café, informa a nutricionista Mônica Pinto, da Associação Brasileira das Indústrias de Café, a Abic. Mas esse efeito só acontece quando se exagera na cafeína.

Dor de cabeça

Está aí um tópico que rende pano para mangas. Geralmente, a confusão começa com a dificuldade de estabelecer se a bebida é realmente o estopim da dor de cabeça ou se as pessoas que sentem o incômodo a veem como válvula de escape. Para esclarecer a dúvida, diminua aos poucos a ingestão de cafeína, até tirá-la da dieta, recomenda a pesquisadora Adriana Farah, da UFrj.

Contudo, lembre-se de que alguns chás e refrigerantes também carregam a substância. Daí, se a dor não sumir, procure um médico. Em muitos casos, a cafeína é a salvação. Prova disso é que está na fórmula de analgésicos. Algumas cefaleias são caracterizadas pela vasodilatação cerebral. Por deixar os vasos mais estreitos, a cafeína pode atuar como coadjuvante no tratamento, justifica a especialista.

Considerações finais

Com as evidências que temos hoje, não é necessário observar uma precaução especial com o café na relação com a saúde: pelo contrário, seu consumo poderia inclusive ser benéfico. Em forma condicional.

Também não devemos transferir ao café um efeito talismã ou protetor com o qual alguém poderia chegar a pensar que, desde que bebesse café, poderia cometer qualquer estripulia nutricional que estaria seguro.

Nem todas as pessoas reagem da mesma forma frente a quantidades similares de cafeína: uns são mais afetados e outros menos; depende em grande parte de seus polimorfismos, de seus genes.

O consumo de café, como de qualquer outro alimento, deve ser observado como um todo, levando em conta outras possíveis associações relativas ao consumo de certos alimentos, bem como outros fatores relacionados ao seu uso. Por exemplo, quando a OMS publicou um posicionamento sobre o aumento do risco de câncer com o consumo de bebidas muito quentes.

Discutir se é mais saudável beber café ou chá só porque as duas bebidas têm cafeína é como comparar um Renault 5 com um Airbus A380 pelo fato de que os dois têm rodas.

Para começar, um chá tem um décimo da cafeína do café. A partir daqui, há pouco que pode ser comparado, especialmente quando existem inúmeras variantes das duas bebidas, cada uma delas com dezenas de compostos diferentes e em várias proporções.

Compostos que podem ter um efeito fisiológico, mas não se sabe ao certo qual, nem se afetam todas as pessoas igualmente.

Se você quer saber quanto café bebem os espanhóis dentro do panorama global, a verdade é que não estamos entre as primeiras posições: cerca de 3 kg por ano per capita, o que nos deixa no 25º lugar, em uma classificação dominada pelos países nórdicos. A Finlândia ganha com seus impressionantes 9,6 kg por ano e por habitante.

Mega Imagem

A clínica Mega Imagem é referência no diagnóstico por imagem na Baixada Santista.