HPV: rastreamento, diagnóstico e tratamentos

HPV

O papilomavírus humano (HPV) é a causa da infecção de transmissão sexual mais comum no mundo. O risco de ser infectado pelo vírus pelo menos uma vez na vida é de 50% segundo a  Comissão Nacional Especializada em Trato Genital Inferior da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

Relação com o Câncer

Os tipos oncogênicos mais comuns são os HPV 16 e 18, e a persistência deles é a principal causa do câncer no trato genital inferior da mulher. Mais de 600.000 casos de cânceres em todo o mundo, anualmente, são atribuídos ao HPV, sendo esse o fator de risco mais importante no desenvolvimento das neoplasias de colo, vagina, vulva, pênis, ânus e orofaringe, além de ser o causador das verrugas anogenitais.

O câncer do colo uterino é um problema de saúde pública no mundo, sendo o quarto tipo de tumor mais incidente entre as mulheres, com 500.000 novos casos e 250.000 mortes ao ano. No Brasil, é o terceiro câncer mais incidente nas mulheres. As estimativas para 2020, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), é de 16.590 novos casos e ocorreram 6.526 mortes em 2018.

As infecções são mais prevalentes nas adolescentes e adultas jovens, com pico de prevalência nos primeiros anos do início da atividade sexual. Um efetivo rastreamento tem demonstrado redução da incidência dessa neoplasia e da mortalidade por causa dela. As lesões precursoras do câncer, quando diagnosticadas e tratadas, evitam a progressão para lesão invasora.

O método utilizado de rastreio é a citologia oncótica, a partir dos 25 anos de idade para as mulheres que já iniciaram vida sexual. Os exames devem seguir até os 64 anos de idade, e nas mulheres sem história prévia de doença pré-neoplásica, eles devem ser interrompidos quando elas apresentarem pelo menos dois exames negativos nos últimos cinco anos.

O HPV pode provocar o condiloma acuminado que são lesões em forma de verrugas  que podem ser dolorosas e/ou pruriginosas. Na mulher, localizam-se na vulva, períneo, região perianal, vagina e colo. Menos frequentemente se desenvolvem em áreas extragenitais, como mucosa nasal e oral, e o seu diagnóstico é clínico.

 

Tratamento  e formas de contágio

O tratamento tem como objetivo “eliminar” essas lesões muitas vezes com produtos químicos. O tratamento das verrugas anogenitais não elimina o vírus, por isso as lesões podem reaparecer. As pessoas infectadas e seus parceiros devem retornar ao serviço caso se identifiquem novas lesões.

A infecção pelo HPV é universal no trato genital feminino, podendo comprometer tanto a pele como as mucosas, causando uma série de manifestações importantes, entre elas as verrugas genitais e cânceres. A ampla cobertura da população por meio de um rastreio organizado e a vacinação poderão diminuir substancialmente as doenças.

O HPV é uma doença que não tem cura mas que pode ser controlada. Através de uma boa qualidade de vida, com uma boa alimentação e exercícios físicos regulares, a mulher consegue manter a imunidade alta e evitar que surjam as crises.

As verrugas podem aparecer de tempos em tempos, quando o vírus “acorda” e mantém um período de infecção. Os primeiros sintomas costumam aparecer de dois a oito meses após a infecção. É importante que seu parceiro utilize o preservativo, para evitar contaminações.

Além disso, o ideal é realizar exames periodicamente para acompanhamento e rastreamento da doença.

Vacina contra o HPV

A vacina conta o HPV foi criada em 2014 pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e pode ser dividida em bivalente( previne contra os HPVs 16 e 18 somente) e quadrivalente (previne contra os HPVs 6, 11, 16 e 18).

A faixa etária escolhida foi dos 9 aos 13 anos, por ser a fase que apresenta maior benefício pela grande produção de anticorpos e por ter sido menos exposta ao vírus por meio de relações sexuais.

Em 2017 a vacinação foi ampliada para as meninas e adolescentes de 9 a 14 anos e introduzida para a população masculina de 11 a 14 anos.

Pessoas dos 26 anos de idade vivendo com HIV/Aids, além de indivíduos submetidos a transplantes de órgãos sólidos e medula óssea e pacientes oncológicos também pode tomar a vacina através do SUS.

Para demais pacientes que não se vacinaram durante o período e não se enquadram nos requisitos, é necessária a vacinação na rede privada.

As estratégias de prevenção primária, como a vacina contra o HPV, e as de prevenção secundária, como o rastreamento, devem ser reforçadas nos próximos anos. Até 2030 a meta é: 90% das meninas vacinadas até os 15 anos de idade, 70% de mulheres rastreadas com teste de alta efetividade com 35 anos e 45 anos de idade; 90% das lesões precursoras e câncer invasivo tratados.

Por fim, recomendamos a visita ao ginecologista regularmente e realizar os exames solicitados de rastreio.

 

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Por Rafaélla Mantovani

Comunicação e Marketing Digital na Clínica Mega Imagem.