Covid-19: sequelas deixadas ao cérebro

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Diante do momento em que vivemos, este será mais um artigo da nossa série falando sobre o coronavírus e as sequelas que podem deixar ao cérebro.

A doença do coronavírus é causada por um infecção aguda severa do aparelho respiratório pelo coronavírus 2 (SARS-CoV-2). 

O início da propagação do vírus foi em Wuhan na China em Dezembro de 2019 e foi declarado pandemia em Março de 2020. No início eram reportados mais infecções respiratórias mas atualmente têm sido referidos casos de acometimento cardíaco e de complicações tromboembólicas (obstrução dos vasos), que pode ser atribuído a inflamação sistêmica de todo o corpo e pelas alterações na coagulação ocasionadas pela infecção do COVID -19. 

Alguns estudos estão relatando alguns casos de obstrução de veias do cérebro, como a trombose do seio venoso. Em um trabalho sobre esse tipo de acometimento foi relatado que esses eventos de trombose podem ser o sintoma inicial do COVID-19, que incluem acidentes vasculares cerebrais, tromboembolismo venoso, embolismo pulmonar (obstrução das veias pulmonares) e complicações cardíacas. 

Esses pontos devem chamar atenção aos clínicos quando um  paciente tem suspeita de COVID-19 para tomar as condutas adequadas. 

Covid-19 e a Trombose Venosa Cerebral

Vamos entender quais as relações do Covid-19 com a Trombose Venosa Cerebral a partir de alguns estudos de caso. 

Em um estudo de abril deste ano, os autores se depararam com um caso de trombose do seio venoso. No cérebro, como em quaisquer outros órgãos, nós temos as veias que trazem o sangue de volta para o coração para que ele bombeie para o pulmão para encher o sangue de novo de oxigênio. Para facilitar , no desenho a seguir essas veias estão em azul. 

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Na figura foi retirado o tecido do cérebro, ficando somente a parte óssea e as veias. O caso desse estudo se tratava de um senhor de 59 anos que reclamava que há 4 dias tinha dores de cabeça na parte frontal a direita, com piora progressiva. Não era tabagista mas tinha diabetes e aumento da pressão. Ele pesava 148 kgs. 

Na admissão ele não tinha sintomas neurológicos ou respiratórios. Ele teve um episódio de febre com um pico pressórico de 17/11 mmHg , nível de oxigênio normal  e sem alteração da frequência da respiração. 

Foi tirada uma radiografia mostrando um achado de inflamação/infecção e foi feito um teste da secreção que veio positivo para COVID-19.    

Além disso, foi feita uma tomografia de crânio para ver as veias, que foi considerada normal. Como houve melhora dos sintomas o paciente teve alta mas voltou 4 dias depois com dormência nos membros, com dificuldade de fala que estava arrastada, tendo sinais sugestivos de derrame. Após revisão da tomografia se considerou o uso de heparina com melhora do quadro.       

Estudos

Entretanto, em um outro trabalho os autores relataram dois casos de obstrução das veias do cérebro 

Em um deles a paciente tinha 62 anos com histórico de obesidade mórbida com febre, tosse e falta de ar. Fez o teste de secreção e a tomografia que foram positivas para o COVID-19 . Depois de 15 dias do início dos sintomas iniciou com dor de cabeça, alteração da visão , alteração da consciência e déficit repentino  do lado direito do corpo. Foi diagnosticado a trombose da veia do cérebro através da tomografia.

Contudo, no outro caso a paciente tinha 54 anos com histórico de câncer de mama tratado e em seguimento com hormonioterapia há 5 anos. Depois de 2 semanas do início dos sintomas o paciente começou a ter tosse e intensa dor de cabeça . Fez a tomografia sugestiva de COVID-19.Com a ressonância de crânio para ver as veias (venograma)  foi diagnosticado trombose venosa cerebral.

Atenção aos sintomas

Portanto, é importante que os clínicos fiquem atentos a manifestações não usuais de COVID-19 além das manifestações respiratórias , como sinais de acometimento  cardiovascular e complicações tromboembólicas.

Como é conhecido durante a infecção do COVID-19 ocorre uma intensa resposta inflamatória que aumenta com a severidade da doença, levando a um estado de aumento da coagulação. Coagulopatia pode ocorrer na SARS e na MERS que também são causadas por coronavírus. Os autores sugerem que se deva considerar o uso de heparina principalmente em pacientes com maior risco.

Essa obstrução das veias do cérebro pode ocorrer em casos de tumor de cérebro, trauma ou infecção, que esse paciente não tinha . Um estado de aumento de coagulação que o COVID-19 pode ocasionar pode ser um fator de risco.

Caso você queira ler também nosso artigo falando sobre as sequelas do covid-19 deixadas ao coração, clique aqui.

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Espero que tenha gostado desse artigo, até breve.

 

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Categorizado como Coronavírus

Por Rafaélla Mantovani

Comunicação e Marketing Digital na Clínica Mega Imagem.