Câncer de Esôfago: diagnóstico e como tratar?

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O esôfago é um órgão tubular que leva a comida da boca para o estômago, e que tem aproximadamente 25 cm de comprimento por 2 cm de largura, interna. Quando digo “leva”, é de forma literal, já que, o esôfago possui musculatura própria e é capaz de enviar a comida para o estômago, mesmo que a pessoa esteja de cabeça para baixo. Como todos os órgãos do sistema digestório, o esôfago, também, pode ser acometido pelo câncer.

 

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Tipos de Câncer de Esôfago

São dois os tipos histológicos mais frequentes do câncer de esôfago, o carcinoma epidermóide e o adenocarcinoma, cada qual com sua localização principal e seus fatores predisponentes.

Se dividirmos o esôfago em três partes, as duas mais próximas a faringe são as regiões em que o carcinoma epidermóide domina. Para esse tipo de tumor os fatores predisponentes são: o alcool, o cigarro, a má higiene bucal, a infecção por papiloma vírus humano e exposição à produtos químicos.

Pacientes portadores de Doença de Chagas, com acometimento esofágico também têm aumento da incidência de câncer esofágico.

O que é a Doença de Chagas?

A doença de Chagas é transmitida pelo inseto barbeiro, o protozoário transmite o Trypanosoma cruzi que vive no sangue periférico e nas fibras musculares, especialmente as cardíacas e digestivas.

Dando sequência aos casos de câncer, no terço inferior predomina o adenocarcinoma, que está associado a Doença do refluxo gastresofágico e a alteração da mucosa esofágica chamada de Barrett.

Essa alteração esofágica descrita por Barrett é a mudança da células do final do esôfago para células iguais as do estômago, com áreas de epitélio intestinal. Essa modificação quando extensa ou circular, facilita o desenvolvimento do câncer esofágico.

Merece menção uma terceira topografia para o câncer dessa região, que fica na junção do esôfago com o estômago, chamado cardia.

A sua prevalência tem aumentado nos últimos anos e parece estar associada a obesidade, embora essa relação ainda não esteja provada.
Mais recentemente está sendo estudado um fator predisponente que parece estar associado ao câncer esofágico que é a variação do microbiota esofágica.

A microbiota é o conjunto de bactérias, vírus e fungos que coloniza um determinado local, seja no sistema digestório, respiratório, geniturinário, entre outros, e parece estar intimamente relacionada à saúde geral do corpo humano.

A microbiota possui funções atreladas ao bom funcionamento do organismo, como participar da produção de enzimas, vitaminas e componentes necessários para a renovação celular.

Modificações na composição da microbiota, podem causar processo inflamatório, e isso pode, com o passar do tempo, facilitar a instalação do câncer.

Sintomas do Câncer de Esôfago

Já sabemos quais são os fatores desencadeantes, mas quais são os sintomas do câncer de esôfago? O principal sintoma é a disfagia (dificuldade para deglutir), ”a comida entala quando a gente engole”, porém esse é um sintoma tardio que aparece quando o tumor cresce e a parte interna do esôfago fica com menos de 12 milímetros.

A odinofagia (dor ao deglutir) e o emagrecimento são outros sintomas muito frequentes. A hematêmese (vomito de sangue) também pode ocorrer ocasionalmente.
O importante é fazer o diagnóstico precoce. Portanto sintomas de refluxo como azia, regurgitação de alimentos ou desconforto retroesternal (atrás do peito), devem ser sempre investigados, para reduzir o risco de câncer de esôfago avançado.

A avaliação do esôfago é feita pela endoscopia digestiva alta, que também avalia o estômago e o duodeno no mesmo procedimento. A endoscopia também pode ser utilizada como ferramenta terapêutica, para retirada de lesões iniciais do câncer, ou para colocação de próteses nos tumores avançados, permitindo que o paciente volte a se alimentar por via oral.

 

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Tratamento

Feito o diagnóstico do Câncer de esôfago o principal tratamento é cirúrgico. Podendo haver a necessidade de medidas suplementares como quimioterapia ou radioterapia. Equipes multidisciplinares com gastroenterologistas, oncologistas, cirurgiões, nutricionistas, enfermeiras e fisioterapeutas são necessárias para a boa evolução do tratamento.

O câncer de esôfago é o sexto entre homens e o décimo quinto entre mulheres no Brasil, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), tendo matado 508 mil pessoas no mundo em 2018. E como na maioria dos tumores, tem uma evolução melhor quando diagnosticado na fase inicial.

Portanto pessoas com sintomas de refluxo gastresofágico em qualquer idade, etilistas, tabagistas e trabalhadores expostos à produtos químicos, particularmente acima dos 50 anos, devem realizar uma endoscopia digestiva alta diagnóstica para avaliação do esôfago e estômago.

O acompanhamento deve ser feito anualmente nas consultas ao gastroenterologista e na realização de exames.

Texto feito pelo Dr José Eduardo Vasconcelos Fernandes portador do CRM 56486. Ele é Médico especialista em Gastrenterologia pela FBG, Médico especialista em Endoscopia Digestiva pela SOBED e Professor licenciado da faculdade de Medicina da UNIMES.

Currículo Lattes: 7137158321671408

Corrigido e adaptado por Rafaélla Mantovani.

Fontes:
INCA, JNCCNAnnals Of Oncology.

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Categorizado como Artigos

Por Rafaélla Mantovani

Comunicação e Marketing Digital na Clínica Mega Imagem.