Barriga solidária com material genético de dois pais, como funciona?

Casal de homens ao lado de uma mulher grávida, representando a barriga solidária como método de reprodução assistida e formação de novas famílias.

A parentalidade por meio da reprodução assistida deixou de ser exceção e passou a integrar a realidade de muitas famílias brasileiras. Entre os métodos disponíveis, a barriga solidária, também chamada de gestação por substituição, tem ganhado visibilidade, especialmente após casos públicos que ajudam a ampliar o debate e a informação.

Recentemente, o nascimento dos gêmeos Benício e Lívia chamou atenção não apenas pela emoção da chegada, mas também pelo método adotado: os médicos utilizaram o sêmen de cada um dos pais para gerar os bebês, seguindo rigorosamente todas as normas éticas e médicas vigentes no Brasil. Esse modelo amplia as possibilidades da reprodução assistida, representa um avanço técnico e simbólico e ainda estimula reflexões relevantes sobre família, ciência e legislação.

Neste artigo, falaremos mais sobre esse tema, mostrando um caso real e contando como isso é possível. Para saber mais, continue a leitura!

O caso de José Lohn e Gilliard Machado: paternidade e barriga solidária

Os influenciadores José Lohn e Gilliard Machado emocionaram seguidores ao anunciarem o nascimento dos gêmeos Benício e Lívia, em 4 de janeiro de 2026, fruto de um processo de barriga solidária conduzido dentro das normas médicas e éticas brasileiras. Ao longo da gestação, o casal compartilhou detalhes da jornada da paternidade, desde a escolha do método de reprodução assistida até a chegada à maternidade.

Um dos aspectos que mais chamou atenção foi o fato de que cada bebê foi gerado com o material genético de um dos pais, utilizando a técnica de fertilização in vitro. A gestação ocorreu com óvulos de uma mesma doadora, fecundados separadamente com o sêmen de José e de Gilliard, e posteriormente transferidos para o útero da gestante solidária, resultando em uma gravidez gemelar de um menino e uma menina.

Em vídeos e publicações nas redes sociais, o casal utilizou a expressão “nossa barriga solidária chegou” para celebrar o nascimento dos filhos, destacando o sentimento de gratidão, amor e respeito por todas as pessoas envolvidas no processo. A transparência ao compartilhar essa experiência ajudou a desmistificar a gestação por substituição e ampliou o debate sobre os diferentes caminhos possíveis para a formação de famílias no Brasil.

Mais do que um relato pessoal, a história de José Lohn e Gilliard Machado tornou-se um exemplo de como a ciência, quando aliada à ética e ao afeto, pode viabilizar sonhos e fortalecer novas configurações familiares, inspirando outras pessoas que desejam exercer a parentalidade por meio da reprodução assistida.

O que é barriga solidária?

A barriga solidária é um procedimento de reprodução assistida em que uma mulher cede temporariamente o útero para gestar o bebê de outra pessoa ou casal. Diferentemente de modelos comerciais existentes em outros países, no Brasil esse processo não pode envolver qualquer tipo de pagamento ou vantagem financeira.

Além disso, a gestante não pode ter vínculo genético com o bebê. Ou seja, ela apenas realiza a gestação, enquanto o material genético vem dos pais intencionais ou de doadores.

Esse método costuma ser indicado em situações como: mulheres sem útero ou com malformações uterinas, condições médicas que impeçam a gestação, casais homoafetivos masculinos, pessoas trans e casos em que a gravidez pode gerar algum risco à saúde da mãe.

Portanto, trata-se de uma alternativa ética e regulamentada para viabilizar o sonho da parentalidade.

O que diz a legislação brasileira sobre barriga solidária

No Brasil, a gestação por substituição é permitida e regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), especialmente pela Resolução CFM nº 2.320/2022.

Segundo as normas:

  • A gestante deve ser parente consanguínea de até quarto grau de um dos pais (mãe, irmã, tia, prima, por exemplo)

  • Não pode haver fins comerciais

  • Todos os envolvidos devem assinar termos de consentimento

  • Em casos fora do parentesco, é possível solicitar autorização excepcional ao Conselho Regional de Medicina (CRM)

Dessa forma, o processo ocorre com respaldo médico, ético e jurídico.

Como funciona a técnica de fecundação no caso de dois pais

Um dos pontos que mais despertam curiosidade nesse tipo de caso é o aspecto técnico. Afinal, como é possível que dois homens tenham filhos biológicos no mesmo processo?

Fertilização in vitro (FIV): a base do método

A técnica utilizada é a fertilização in vitro (FIV). O processo acontece em laboratório e segue etapas bem definidas:

  1. Coleta de óvulos de uma doadora

  2. Coleta do sêmen dos pais

  3. Fertilização dos óvulos em laboratório

  4. Desenvolvimento dos embriões

  5. Transferência dos embriões para o útero da gestante solidária

No caso específico em questão, óvulos da mesma doadora foram fecundados separadamente, cada grupo com o sêmen de um dos pais.

Como foi possível gerar um menino e uma menina

O cromossomo presente no espermatozoide (X ou Y) define o sexo biológico do bebê. Nesse contexto, como cada pai forneceu seu próprio material genético e os profissionais formaram os embriões separadamente, o processo resultou em um embrião masculino e outro feminino.

Em seguida, a equipe médica transferiu ambos para o útero da gestante, o que levou a uma gestação gemelar na qual cada bebê possui um pai biológico diferente, embora compartilhem a mesma doadora de óvulos e a mesma gestante.

Benefícios da barriga solidária quando bem conduzida

Quando profissionais conduzem o processo dentro das normas, a barriga solidária amplia o acesso à parentalidade para pessoas que não podem vivenciar a gestação. Além disso, o método respeita princípios éticos e legais rigorosos, o que garante segurança, transparência e responsabilidade em todas as etapas.

Outro ponto positivo é que o uso da barriga solidária permite um planejamento familiar consciente, além de valorizar vínculos afetivos que vão além da gestação. Além disso, o avanço das técnicas médicas torna o processo cada vez mais seguro e eficiente.

Considerações finais

A barriga solidária representa um avanço significativo na reprodução assistida ao ampliar as possibilidades de parentalidade de forma ética, segura e regulamentada no Brasil. Casos como o de José Lohn e Gilliard Machado ajudam a transformar informação em consciência coletiva, ao mostrar que ciência, afeto e responsabilidade podem caminhar juntos na construção de novas famílias.

Mais do que um procedimento médico, a gestação por substituição envolve escolhas conscientes, acompanhamento especializado e respeito aos vínculos humanos, reforçando que o desejo de cuidar, amar e educar é o que verdadeiramente define a parentalidade.

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Em resumo

Barriga solidária é permitida no Brasil?

Sim. Embora muitas pessoas ainda temnha dúvidas sobre esse procedimento, podemos afirmar que o método é permitido, desde que siga as normas do Conselho Federal de Medicina e não envolva fins comerciais. Isso significa que a pessoa responsável por ceder o útero não pode obter vantagens financeiras para isso.

É possível usar o sêmen de dois pais diferentes?

Sim. É possível fecundar óvulos separadamente com o material genético de cada pai.

Quem define o sexo do bebê?

O espermatozóide define o sexo biológico. Em alguns casos, técnicas laboratoriais podem identificar o sexo do embrião antes da transferência, conforme indicação médica e normas éticas.